
Continuando o que falei na postagem anterior quero reafirmar o viver frugal. Ele é um viver simples sob os mais variados aspectos. É um viver moderado. Um dia após o outro. É sair de casa mais cedo pra não atropelar os outros no trânsito, é respeitar a fila que já existia quando você chegou. Também é viver dentro de suas posses, de sua renda. E é aqui que quero me estender. Vamos olhar pra uma turma que tem uma dos maiores níveis de renda de nosso país: os médicos. Eles têm um viver frugal? Boa parte deles, certamente, não.
ALTA RENDA, BAIXO PATRIMÔNIO
Os médicos, coitados dos médicos. Quem vai curá-los? Em geral eles estão no grupo que tem alta renda, mas baixo patrimônio. É o que chamamos de "alta renda-baixo patrimônio". Isto ocorre porque, segundo pesquisas acadêmicas, os médicos para se sentirem aceitos em seu grupo profissional precisam gastar muito: casa e carros compatíveis a profissão; títulos de clubes; almoços e jantares; roupas; viagens para congressos; livros, muitos livros (de preço bem elevado). Ganham bastante, mas também gastam muito. Os filhos e os amigos os acham ricos porque eles levam uma vida que parece mesmo "vida de rico", segundo a sabedoria popular. Congressos nacionais e internacionais são exigências para o médico se manter atualizado; e isso custa caro.
Os médico exibem um estilo de vida de alto consumo mas, em geral, pouco investimento. Seus gastos estão direcionados a bens consumidores de riqueza, como carros de luxo que são trocados a cada um ou dois anos, por exemplo. São gastos que indicam status, mostram quem eles são e onde estão numa escala social presente na mente das pessoas. São gastos não são direcionados a bens geradores de riqueza, como os investimentos em imóveis, títulos do governo ou de empresas e ações de companhias abertas.
As pesquisas que observaram este comportamento financeiro nos médicos foram desenvolvidas nos Estados Unidos; entretanto, a replicação delas aqui no Brasil provavelmente não mostraria resultados muito diferentes. Mas o importante é perceber que o viver frugal independe de sua renda. Na média os médicos pesquisados demonstraram um viver perdulário, pois gastam tudo que ganham e às vezes bem mais, se endividando num ciclo perigoso. É óbvio que há médicos que mantêm suas finanças equilibradas, mas parece que eles não são a maioria. Como resolver esse problema se eles estão sempre ocupados numa ciranda de trabalho e estudo sem fim?
QUEM VOCÊ PROCURA QUANDO PRECISA DE AJUDA?
Se você tem problema de saúde procura um profissional da área, se seu carro quebra, procura um mecânico. E quando suas finanças desabam, quem você procura? Um gerente de banco ou um cunhado, irmão ou um agiota? Pois é. Se você tem um viver perdulário precisa de ajuda, pois as conseqüências podem ser devastadoras para sua vida pessoal e familiar.
Neste sentido os médicos precisam de ajuda. Eles precisam buscar a orientação de um profissional da área financeira para estruturar suas finanças e dar-lhe tranqüilidade para suas outras atividades, sejam elas profissionais, pessoais ou familiares. Por isso minha sugestão é: busque a ajuda de um profissional se você se enquadra no grupo dos perdulários, daqueles que não conseguem viver dentro de seus ganhos, que não aplicam parte de sua renda em bens geradores de riqueza. Se você, da mesma forma que muitos médicos, também enfrenta situação semelhante e também não sabe ao certo para onde está indo seu dinheiro, você também precisa de ajuda.
Você sabe quanto gasta com alimentação, roupas, moradia, saúde e transporte por ano? Essas são as necessidades básicas de uma pessoa. Se você não sabe o quanto gasta com esses itens, está explicado, ao menos em parte, o motivo de uma eventual via crucis que você eventualmente experimenta em sua travessia pela vida. Talvez você deteste essa coisa de fazer orçamento, embora ele seja fundamental para você assumir de fato controle de sua vida financeira: afinal, como controlar o que não se mede? Mesmo assim, existem alternativas ao orçamento, e uma delas é "pague-se primeiro". Vou falar sobre isso em outra postagem.
Muitos se endividam para manter um padrão que não condiz com sua renda. Este hábito é comum entre os americanos: eles chegam a hipotecar seus imóveis a fim de levantar recursos que serão usados para financiar o consumo supérfluo: trocar de carro, fazer viagens e comprar e comprar e comprar.
Se essas coisas lembram seu proceder, seu modo de vida, você precisa de ajuda, e não importa seu nível de renda. Aliás, para você se tornar uma pessoa efetivamente rica, seu nível de renda nem é tão importante assim. Há aspectos muito mais relevantes do que ele. Eu vou trazê-los aqui. Mas um viver frugal é condicionante de uma riqueza não só patrimonial, mas também pessoal e familiar.
NÃO É FÁCIL, MAS É POSSÍVEL
E como conquistar um viver frugal? Não é fácil, mas é possível. Falaremos disso mais tarde. Algumas coisas precisam ser esclarecidas antes. Afinal o que significa "baixo patrimônio"? Quando é que o patrimônio de alguém pode ser considerado "alto"? Quando se pode dizer que alguém é rico?
Não bastam truques de fim de ano ensinando o que fazer com o 13º salário. Um processo de reeducação financeira torna-se necessário. É sobre isto que estaremos falando nas próximas semanas.
