sexta-feira, 28 de maio de 2010

"Dinheiro é pra gastar!" É? (Parte 1)

"DINHEIRO É PRA GASTAR MESMO! E PRONTO!"

Ouvi esta frase mas ela não foi dirigida a mim. Na verdade, uma moça estava com o namorado em um restaurante e eu jantava com minha esposa na mesa ao lado. Não sei se ela percebeu que a conversa entre o casal estava dominada pela emoção. Pude observar a aliança na mão direita da moça. Eram noivos e estavam discutindo questões relacionadas ao casamento. Pareceu-me que ela insistia na necessidade de economizarem para enfrentar os gastos com o casamento e com a nova fase da vida: imóvel e móveis e contas que eles mesmos deveriam arcar. Foi quando ele, quase se exaltando, retrucou às ponderações dela com essa frase do título. Talvez o chope que ele tomava já estivesse fazendo efeito.


Ele soltou a frase segurando a chave do carro quando ela disse contendo a voz: "nós não precisávamos desse carro novo, o meu dava pra gente ir se virando". Não conheci os detalhes da vida de cada um deles, nem como a história de suas vidas como casal está se desenrolando, mas me pus a pensar em como poderiam estar vivendo. Um gastador compulsivo e falastrão e uma moça comedida nas palavras, nos gestos e nos gastos. Duas pessoas, dois amantes, tão iguais e tão diferentes. Longos beijos e sorrisos largos demonstravam a paixão e a alegria de estarem juntos. Ah como eu gostaria de conversar com eles e lhes falar um pouco sobre o uso do dinheiro; e também sobre como alimentar uma paixão para que ela permaneça viva para além dos primeiros amassos em um carrinho velho e para muito mais além do noivado. E por cima de muita dificuldade e dor.

Sinto-me bem à vontade para falar dessas coisas da paixão e da dor, tanto das que senti quanto das que causei. Vivo um amor delicioso com uma mulher maravilhosa há quase 30 anos, dos quais 28 são dentro do casamento. É a mulher da foto que ilustra esta postagem. Eu estava no último semestre da faculdade em Brasília e já tinha emprego assegurado e bem remunerado no interior do Piauí. Para ela ainda faltavam três semestres. Corria o ano de 1981 e iríamos enfrentar em pouco tempo a tristeza da separação e do distanciamento. Chegou a formatura e lá fui eu para Floriano, como um nó na garganta e os bolsos cheios. Esse dinheiro me permitia retornar a Brasília todos os meses.

Num desses retornos houve uma briga besta e terminamos o namoro. Aquilo me partiu o coração e antes de voltar a Floriano conversamos e reatamos e falei que queria me casar com ela e ela aceitou na hora. Proposta aceita, fomos no dia seguinte dar entrada nos papéis sem que nossos pais de nada soubessem, afinal eles moravam a quase 2 mil quilômetro de Brasília, no interior do Ceará. Um mês depois retornei a Brasília mais uma dentre tantas outras vezes, agora com o grande motivo: casar com a mulher que mais desejei até aqueles dias e até os atuais também. Eu me sentia como se tivesse ganhado para mim a "lider de torcida" da faculdade, de tão linda e cortejada que a garota era. Tudo isso sem saber que que naquele momento em que havíamos terminado o namoro ela já estava grávida de nossa filha, a Andrea.

Chegara o dia do casamento, 3 de setembro de 1982, e estávamos radiantes de alegria. Que loucura! Só nós dois e duas madrinhas arranjadas às pressas pelo diretor da faculdade: a secretária dele e a Sara, colega de sala de minha amada. O diretor pediu permissão ao professor para que a Maria Auxiliadora pudesse sair da sala porque ela estaria indo casar. "Casar?!" Foi o grito da turma e o susto do professor. "Isso mesmo, ela tá indo casar mas já volta". E lá fomos nós ao Palácio da Justiça em Brasília.

Muitos sonhos, muitos sonhos. Mas nem imaginávamos como seria complicado administrar a nova vida de casados. Duas pessoas, dois amantes, tão iguais, tão diferentes. Sob o mesmo teto, trazendo educação e cultura totalmente distintas. Além de maneiras conflituosas de lidar com a alimentação, o dinheiro, os filhos e a fé. Uma garota linda e um rapaz que apresentava os primeiros sinais de alcoolismo estavam dividindo o mesmo teto, a mesma mesa e a mesma cama. A verdadeira guerra estava para começar; uma guerra em que a vitória de um representaria a derrota dos dois.

Os sonhos precisariam esperar. E esperaram por doze anos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Como faço para investir? (parte 1)

UMA FONTE, VÁRIAS SAÍDAS. NENHUM INVESTIMENTO

A maioria das pessoas tem apenas uma fonte de renda: a proveniente de seu salário ou de seu empreendimento, ou da aposentadoria ou da pensão. E na maior parte das vezes o recebimento se dá em um único momento do mês. A partir do recebimento começa a maratona de pagamento de contas e de tentativas de fazer o dinheiro ser suficiente para comprar os mantimentos e pagar o transporte, além de custear algum lazer até o final do mês. Vestuário, acessórios e presentes ficam aguardando alguma sobra. Deveriam ficar, mas acontece de serem os primeiros a ter sua compra garantida. E os investimentos? Sem chance!

Para investir é preciso ir além de fazer sobrar dinheiro todo mês, o que já é de certa forma complicado e poucas pessoas conseguem com regularidade. Algumas questões precisam ser respondidas antes de fazer as aplicações das sobras de caixa mensais. Tem de saber por que se quer aplicar. O que se pretende com essa acumulação de dinheiro? Financiar viagens ou estudos, adquirir bens ou garantir a aposentadoria com maior conforto? Quais são os seus sonhos? Pense neles quando planejar seus investimentos.

É preciso também saber onde aplicar. Quais os produtos de investimentos que mais de correspondem aos motivos pelos quais está investido? Quais investimentos podem tornar seus sonhos em realidade com maior eficácia? E quais estão de acordo com suas expectativas de retorno, risco e liquidez? Acredito que muitas pessoas nem saibam o que significa essas três importantes características dos investimentos. Esse desconhecimento tem sido responsável por afastar os investidores de melhores produtos.

Finalmente, é importante saber colocar tudo isso em prática e aprender como investir. Saber escolher um banco de investimentos ou uma corretora de valores; abrir uma conta na instituição eleita; aprender a fazer os investimentos pela internet, usando o homebroker; e emitir as ordens de compra ou venda de ativos e derivativos.

Aos poucos irei fazendo postagens tratando dessas exigências feitas àqueles que pretendem ingressar no mundo dos investimentos qualificados. Com isto espero contribuir para tornar a caderneta de poupança apenas mais uma oportunidade de investimentos, e não a única. Prometo lhe trazer um apanhado geral das principais modalidades de aplicações, fazendo um comparativo de suas liquidez, risco e rentabilidade.

É isso. Por enquanto.
Aproveite bem o seu dia.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Ciclo da Pobreza (parte 1)

O empobrecimento pode se manifestar de variadas formas, sendo a mais marcante a perda de patrimônio. Essa perda, que às vezes, ocorre de maneira até certo ponto inesperada, na maior parte das vezes há uma marcha firme, constante e consciente na direção dela. Pode-se dizer que as perdas inesperadas são originadas, em geral, de negócios mal feitos, de desemprego, doenças ou até mesmo de conjunturas que fogem ao controle das pessoas e empresas. O segundo tipo de perda é decorrente de atitudes e comportamentos já consolidados. Nesta série postagens sobre o Ciclo da Pobreza quero tratar deste segundo caso com mais atenção.

Enquanto algumas pessoas, deliberadamente "jogam dinheiro fora", outras, cheias de boas intenções voltadas para a economia de recursos, tomam decisões erradas; é a história do "barato que sai caro".Conheço pessoas que adquirem certos hábitos na intenção de economizar, mas o próprio hábito se torna uma armadilha. Aconteceu comigo: a fim de economizar a comissão da imobiliária, aluguei o apartamento diretamente com o candidato a inquilino. Além de eu não receber os aluguéis, ele ainda não pagou o condomínio. Meu prejuízo foi equivalente a quase 10% do valor do imóvel.

Aprendi uma dura lição com esse imóvel. E a partir daí tomei uma decisão: não mais investiria em imóveis para obter renda de aluguéis. Em vez disso, continuaria investindo em imóveis só que, daí por diante, meu intuito seria o de comprar ou construir para revender. Essa foi a minha decisão; mas sei de pessoas que ganham muito dinheiro com o aluguel de imóveis. Esse ganho pode vir acompanhado de severos aborrecimentos. Prefiro ficar de fora.

Essa foi uma decisão errada: evitar a imobiliária. Eu não joguei o dinheiro fora deliberadamente. A idéia era economizar. O ruim seria não ter retirado nenhuma lição desse fato. A coisa piora quando nenhuma lição é aprendida, mesmo quando se sabe que os erros estão se acumulando e de forma plenamente consciente. Esses são os casos de perdas decorrentes de maus hábitos, como o das compras compulsivas de coisas que logo se tornam esquecidas em algum canto da casa. Os exemplos são muitos: (i) cartões de crédito com parcela atrasadas; (ii) cheque especial com limite estourados; (iii) prestações e financiamentos não honrados; (iv) escolas, alugueis e condomínios atrasados; (v) planos de saúde com parcelas vencidas e não pagas; (vi) plano de previdência esquecidos ou nunca lembrados. O que dói, talvez não muito agora, mas certamente doerá profundamente no futuro, é a constatação de que a gastança continua, demonstrando nenhuma preocupação aparente com a gravidade da situação. O que fazer para vencer esse ciclo de dívidas e juros que fazem as pessoas se tornarem cada vez mais pobres? Um empobrecimento que rouba sonhos.

Como romper esse ciclo? É sobre isso que estaremos tratando aqui. Não sou psicólogo, não sei discorrer sobre razões que levam a determinados comportamentos; mas tenho conversados com especialistas no assunto, dentre eles está a minha filha, Andrea, excelente psicanalista. O que eu sei é planejar as finanças, tratar as dívidas e organizar os investimentos, além de preparar um plano para a aposentadoria. Falarei sobre isso enquanto compreendemos alguns traços comportamentais que afundam pessoas mas que também as tornam pessoas sensatas e equilibradas.

Tenho vários casos como esse em meus arquivos; mas há três deles que são imponentes: (a) o juiz casado com uma médica; (b) a Graça, funcionária pública; (c) e o jogador de futebol que brincou com o tempo e a vida. Acompanhe as postagens.