quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Quem cuida dos médicos ?

O QUE É UMA VIDA FRUGAL ?
Continuando o que falei na postagem anterior quero reafirmar o viver frugal. Ele é um viver simples sob os mais variados aspectos. É um viver moderado. Um dia após o outro. É sair de casa mais cedo pra não atropelar os outros no trânsito, é respeitar a fila que já existia quando você chegou. Também é viver dentro de suas posses, de sua renda. E é aqui que quero me estender. Vamos olhar pra uma turma que tem uma dos maiores níveis de renda de nosso país: os médicos. Eles têm um viver frugal? Boa parte deles, certamente, não.

ALTA RENDA, BAIXO PATRIMÔNIO
Os médicos, coitados dos médicos. Quem vai curá-los? Em geral eles estão no grupo que tem alta renda, mas baixo patrimônio. É o que chamamos de "alta renda-baixo patrimônio". Isto ocorre porque, segundo pesquisas acadêmicas, os médicos para se sentirem aceitos em seu grupo profissional precisam gastar muito: casa e carros compatíveis a profissão; títulos de clubes; almoços e jantares; roupas; viagens para congressos; livros, muitos livros (de preço bem elevado). Ganham bastante, mas também gastam muito. Os filhos e os amigos os acham ricos porque eles levam uma vida que parece mesmo "vida de rico", segundo a sabedoria popular. Congressos nacionais e internacionais são exigências para o médico se manter atualizado; e isso custa caro.

Os médico exibem um estilo de vida de alto consumo mas, em geral, pouco investimento. Seus gastos estão direcionados a bens consumidores de riqueza, como carros de luxo que são trocados a cada um ou dois anos, por exemplo. São gastos que indicam status, mostram quem eles são e onde estão numa escala social presente na mente das pessoas. São gastos não são direcionados a bens geradores de riqueza, como os investimentos em imóveis, títulos do governo ou de empresas e ações de companhias abertas.

As pesquisas que observaram este comportamento financeiro nos médicos foram desenvolvidas nos Estados Unidos; entretanto, a replicação delas aqui no Brasil provavelmente não mostraria resultados muito diferentes. Mas o importante é perceber que o viver frugal independe de sua renda. Na média os médicos pesquisados demonstraram um viver perdulário, pois gastam tudo que ganham e às vezes bem mais, se endividando num ciclo perigoso. É óbvio que há médicos que mantêm suas finanças equilibradas, mas parece que eles não são a maioria. Como resolver esse problema se eles estão sempre ocupados numa ciranda de trabalho e estudo sem fim?

QUEM VOCÊ PROCURA QUANDO PRECISA DE AJUDA?
Se você tem problema de saúde procura um profissional da área, se seu carro quebra, procura um mecânico. E quando suas finanças desabam, quem você procura? Um gerente de banco ou um cunhado, irmão ou um agiota? Pois é. Se você tem um viver perdulário precisa de ajuda, pois as conseqüências podem ser devastadoras para sua vida pessoal e familiar.

Neste sentido os médicos precisam de ajuda. Eles precisam buscar a orientação de um profissional da área financeira para estruturar suas finanças e dar-lhe tranqüilidade para suas outras atividades, sejam elas profissionais, pessoais ou familiares. Por isso minha sugestão é: busque a ajuda de um profissional se você se enquadra no grupo dos perdulários, daqueles que não conseguem viver dentro de seus ganhos, que não aplicam parte de sua renda em bens geradores de riqueza. Se você, da mesma forma que muitos médicos, também enfrenta situação semelhante e também não sabe ao certo para onde está indo seu dinheiro, você também precisa de ajuda.

Você sabe quanto gasta com alimentação, roupas, moradia, saúde e transporte por ano? Essas são as necessidades básicas de uma pessoa. Se você não sabe o quanto gasta com esses itens, está explicado, ao menos em parte, o motivo de uma eventual via crucis que você eventualmente experimenta em sua travessia pela vida. Talvez você deteste essa coisa de fazer orçamento, embora ele seja fundamental para você assumir de fato controle de sua vida financeira: afinal, como controlar o que não se mede? Mesmo assim, existem alternativas ao orçamento, e uma delas é "pague-se primeiro". Vou falar sobre isso em outra postagem.

Muitos se endividam para manter um padrão que não condiz com sua renda. Este hábito é comum entre os americanos: eles chegam a hipotecar seus imóveis a fim de levantar recursos que serão usados para financiar o consumo supérfluo: trocar de carro, fazer viagens e comprar e comprar e comprar.

Se essas coisas lembram seu proceder, seu modo de vida, você precisa de ajuda, e não importa seu nível de renda. Aliás, para você se tornar uma pessoa efetivamente rica, seu nível de renda nem é tão importante assim. Há aspectos muito mais relevantes do que ele. Eu vou trazê-los aqui. Mas um viver frugal é condicionante de uma riqueza não só patrimonial, mas também pessoal e familiar.

NÃO É FÁCIL, MAS É POSSÍVEL
E como conquistar um viver frugal? Não é fácil, mas é possível. Falaremos disso mais tarde. Algumas coisas precisam ser esclarecidas antes. Afinal o que significa "baixo patrimônio"? Quando é que o patrimônio de alguém pode ser considerado "alto"? Quando se pode dizer que alguém é rico?

Não bastam truques de fim de ano ensinando o que fazer com o 13º salário. Um processo de reeducação financeira torna-se necessário. É sobre isto que estaremos falando nas próximas semanas.

5 comentários:

Unknown disse...

Tio o Senhor abordou um ponto que é muito verdadeiro. Falta de organização que essas criaturas tem. Começa logo pela faculdade. Aulas aqui,"aculá",parecem um bando de cachorros caidos de mudança. Outra coisa que aumenta mais ainda esse a desorganização é que eles não fazem monografia meu tio. Onde já se viu terminar um curso de nível superior sem fazer um projeto de pesquisa...uma monografia(quem já fez sabe bem o que estou falando,organizar o tempo é fundamental). Vamos mudar de assunto,estou escrevendo aqui para não escrever nas minhas duas monografias que estou iniciando(acho que sou doido...fazer duas especializações!!!). Tio na verdade o que mais me preoculpa é que ainda hj dão cargos importantes para essa raça e quando eles não são deputados ou prefeitos. Termino aqui com medo do Brasil ficar cada vez mais doente. LEmbrem-se que toda regra tem sua exeção(aos que se sentirem "milindrados" ).

RodrigoReis disse...

Como gerente de uma instituicao bancaria que fui por sete anos, pude comprovar tal fato. Principalmente numa agencia onde grande parte dos clientes eram medicos. Gastos incrivelmente grandes com viagens, passeios, clubes, roupas, joias, carros e ateh barcos. O grande problema era que a maioria destes gastos dependia dos emprestimos bancarios. Uma casa, que nem sempre estava quitada e soh...este era o patrimonio da maioria deles. patrimonio sem praticamente nenhuma liquidez. Carros financiados (eu disse carros, no plural), limites dos cartoes de credito quase integralmente tomados (de novo no plural), cheques especiais (olha o plural novamente)...e assim vai. Jamais me esqueco de um de nossos clientes (nao era medico) com uma renda mensal bem abaixo dos nossos amigos, com seu carro e casa quitados, com um bom dinheiro aplicado no banco e algumas acoes da Vale do Rio Doce. Esta cuidadosa pessoa, cuidava com maestria de suas financas. A regra numeor "um" dele era: "Apenas entre no banco para investir seu dinheiro". Parabens pela postagem amigo Celso, eh um de meus temas favoritos. Rodrigo Reis.

Talyta disse...

Olá, sou enfermeira e trabalho duro todos os dias. Mas nunca tinha pensado que os médicos eram tão fúteis assim. Ainda bem que o daqui de casa eu gerencio o dinheiro dele. rsrsrsrssrrs
Sou casada com um médico e durante os seis anos de vida a dois, a conta maior que fizemos foi a do casamento. Graças a Deus ele é muito simples , bem diferente dos "amigos"...
E agora vai iniciar um curso de especialização e vai fazer sua 1ª monografia.

Catito disse...

Me parece que é necessário pesquisar-se a classe social de onde vem estes médicos que vivem acima de suas posses. Minha intuição é que são principalmente os que vem de famílias de classe média e média baixa e que se deslumbram com o montante de dinheiro que a profisão gera logo nos primeiros anos de trabalho (aliás essa é uma outra disfunção social que precisa ser corrigida em nosso país - a disparidade salarial entre profissões liberais). Imagino que tal pesquisa poderia apontar também se estes são os médicos que se tornam arrogantes e não valorizam a relação médico-paciente, tratando seus pacientes como "fontes de renda" e não como pessoas e, por conseguinte, apesar das melhores especializações que fazem, também cometem os erros mais grotescos de diagnóstico. Dinheiro e Poder sempre andam de mãos dadas!!! E quando dominam a pessoa...

Anônimo disse...

Realmente não sei pra onde vai meu dinheiro. É um descontrole total com taxas de talão e extratos de banco, débitos automáticos.

Impressionante com o banco fica com algum dinheiro meu de forma sutil.
Iss me revolta, penso em fechar a conta...mas não tenho coragem!

===

Achei linda a palavra FRUGAL.
Me lembra frutas, frescor.
Hummm, que delícia de vida!