segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Ricos fazem orçamento?



Objetivamente a resposta é 'sim'. Entretanto, pesquisas indicam que para cada 12 ricos que fazem orçamentos para controlar os gastos de suas famílias, outros 10 ricos não o fazem. E por que uma parcela tão grande dos ricos continua rica mesmo sem fazer orçamento? Isso não contraria o argumento dos especialistas de que o controle de gastos está na base de uma vida financeira vigorosa? É disso que estaremos tratando a seguir.

PAGANDO PRIMEIRO A SI PRÓPRIO
Os ricos que não fazem orçamento adotam uma estratégia diferente daqueles que o fazem. Eles "se pagam antes de pagarem a quem quer que seja". Isto significa que eles guardam um determinado percentual de suas rendas antes de começarem a pagar seus credores. Esse percentual varia de 10% a 30%, sendo a faixa que vai de 15% a 20% a mais comum.
Desta forma, um rico que ganha $ 20.000 por mês, poderia aplicar de $ 3 mil a $ 4 mil antes de realizar seus gastos. Em resumo, ele vive com algo em torno de 80% de sua renda. E aí fazem o que bem entendem, pois já reservaram a poupança prevista.

E OS POBRES FAZEM ORÇAMENTO?
Para mim é difícil responder a esta questão, pois não conheço pesquisas a este respeito. Primeiramente seria necessário responder à seguinte questão: quando alguém pode ser classificado como pobre? Pela classificação do IBGE seriam as classes D e E. Mas prefiro utilizar a classificação "idade-renda": quem tem um patrimônio líquido inferior à metade do produto de 10% da renda anual pela idade, seria pobre.
Assim, se vc tem uma renda anual de $80 mil e está com 40 anos, você será pobre se tiver um patrmônio líquido inferior a $160 mil, ou seja, (10% x $80 mil x 40)/2. Neste caso você pode ser classificado como um sub-acumulador de riqueza, ou um SAR. Causa surpresa este raciocínio, não? Como pode alguém ganhar $ 80 mil por ano e ainda assim será tido como pobre? É que o segredo não está em quanto se ganha, e sim em quanto se gasta. Alguém já disse que rico não é quem tem muito, mas que precisa de pouco; ou seja, precisa de menos do que ganha: vive bem com 80% de sua renda e busca aplicações geradoras de valor para os 20% restantes.
Portanto, um passo firme para a destruição da renda é não ter um orçamento ou não se pagar primeiro. Eu sugiro que tente fazer um orçamento junto com seu cônjuge se este for seu caso.

A TRAVA DE 1%

Vejo uma a crueldade contida na afirmação de que é preciso reservar 20% ou 30% da renda mensal para aplicações em poupança ou outros investimentos. O lado cruel está em querer aplicar esta idéia a pessoas que nunca tiveram o hábito de guardar parte de sua renda. Como alguém que ganha $ 3 mil por mês vai poupar $ 600 ou $ 900 a partir do recebimento do próximo salário ou pró-labrore, se nunca guardou nem 5%? Quem toma contato com essas idéias é estimulado a desistir tendo em vista a dificuldade de implementação da proposta. Compreensível essa atitude. Entretanto sugiro que se faça como no ditado chinês quando afirma que uma "longa caminhada começa com um primeiro passo".


Isso mesmo: dê o primeiro passo na direção de sua independência financeira adotanto o que eu chamo de estratégia do 1%. Ela é útil para pessoas que nunca tiveram o hábito de poupar. Pessoas endividadas podem adotá-la para começar a gerar riqueza. Essa estratégia pode levar à construção da liberdade financeira, mas exige uma boa dose de disciplina, aquilo que muita gente chama de "ter opinião". Você diz que vai fazer e pronto, faz!



A ESTRATÉGIA E AS DÍVIDAS

Mas como seguir essa estratégia se as dívidas ainda não foram resolvidas? Então é preciso primeiro enfrentar as dívidas e estancar a sangria. Uma boa idéia é fazer o que sugiro a seguir. (1) Para enfrentar as dívidas descubra formas de trocar dívidas caras por dívidas mais baratas. Por exemplo, se você está devendo no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito (os dois grandes vilões do endividamento), procure empréstimos com taxas mais baratas para quitá-los (CDC ou empréstimo bancário para pessoa física). Você não tem tempo pra isso? Então pague alguém para fazer isto pra você e remunere-a de acordo com a redução que ela conseguir. Ou pague o preço de não fazer nada. Procure também ajuda para cumprir esta etapa: converse com pessoas que já passaram pelo problema, fale com um consultor financeiro, leia livros sobre educação em finanças e sobre orçamentos pessoais e familiares. (2) Para estancar a sangria, evite as compras por impulso (como é difícil evitá-las, né?). Essa é a grande causadora dos déficits pessoais. Faça como os alcoólatras em recuperação: evite entrar nos "botecos", ou seja, nos shoppings; vá a parques, fique em casa. Não deixe que seus olhos embriaguem você. Há outros truques: não ir ao supermercado com fome nem com crianças, e levando sempre uma lista do que precisa. Às vezes eu prefiro comprar nos minimercados de bairros do que enfrentar a grande variedade de produtos dos hipermercados, bem como suas grandes filas. Evite fazer compras em época de pagamento de salários. Há pesquisas que indicam um razoável aumento de preços nesse período que vai do dia 25 de um mês ao dia 10 do mês seguinte. Nesse intervalo muitos supermercados testam estratégias de preço-alvo para determinados produtos. Em uma postagem futura tratarei dessa estratégia, mas posso adiantar que os supermercados vão elevando os preços de alguns itens para ver até que ponto a demanda mantém a margem de lucro deles.


SE VOCÊ NÃO CUIDAR, NINGUÉM DÁ A MÍNIMA

Cuide bem do seu dinheiro. Ninguém fará isto melhor do que você. Mas a fila é enorme de pessoas querendo tomá-lo de você. E essa fila entra na sua casa pelo telefone e pelo correio. Pelo telefone entram os serviços de telemensagens, oferecendo as mais variadas "promoções", créditos pré-aprovados, serviços de internet, TV a cabo e muitos outros que você ou já tem ou pode dispensar. Pelo correio entram os cartões de crédito que você não pediu e outras promoções também dispensáveis.

SE VOCÊ NÃO É RICO FAÇA SEU ORÇAMENTO

Você deveria fazer um orçamento e se comprometer a cumpri-lo com determinação. Não vai ser fácil no início, como em quase tudo que é novo. Educação financeira é algo que faz falta aos adultos exatamente porque não a tiveram na adolescência. Então, iniciar o processo de independência financeira através do dogma orçamentário pode ser complicado, mas traz recompensas. Se você não sabe fazer orçamento, acompanhe minhas postagens e vou lhe trazer informações valiosas para colaborar neste processo.

Uma informação muito importante para o a evolução no aprendizado dos orçamento é alocar seus ganhos em aplicações geradoras de riqueza, como ações e imóveis. Se ainda é cedo para você pensar nisso, implemente a estratégia do 1% e logo você chegará a este patamar. Mas seu o seu caso é o quem já está buscando oportunidades nestas áreas, sugiro que procure fazer cursos e ler publicações correlatas, e ir lendo minhas postagens.

Sugiro firmemente que você estude o mercado acionário e aprenda a investir em ações. Comece pelos fundos de ações ou por um clube de investimentos. O aprendizado adquirido nestas duas experiências irá lhe dar segurança para investir em ações escolhidas por você mesmo, montando uma carteira que lhe traga retornos mais que compensadores. Os ganhos poderão alavancar sua caminhada rumo à independência financeira. Também estarei tratando disto em minhas postagens.

Se você quiser uma palestra sobre orçamento familiar ou mercado acionário para você e seu grupo de amigos e amigas, entre em contato comigo pelo meu email e poderemos combinar. Não importa o lugar do Brasil onde você more. Meu email é nobresilva@hotmail.com ou nobresilva@gmail.com. E meu site é www.primusct.com.br.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Menina linda! Mulher...


A PRIMA DO MEU AMIGO

Há poucos dias eu caminhava com um amigo e lembro bem do que falei pra ele:

- Hoje, 15 de janeiro de 2008, às oito e dez da manhã é a primeira vez na minha vida que atravesso o Viaduto do Chá (um viaduto da cidade de São Paulo/SP, muito importante pelos aspectos históricos que o cercam).

E ele comentou:
- Você nunca vai esquecer que neste momento eu lhe contei algo tão marcante em minha vida.
A história que ele me contara que dizia algo mais ou menos assim:
- Eu tinha uns 17 anos e gostava de uma prima que era a menina mais linda que eu já tinha visto. A gente fazia de tudo pra ficar junto e quando dava certo era muito bom. Aquela pele, os cabelos o corpo lindo e bem feitinho. O jeito dela andar, de sorrir, de me olhar. Vixi. Era muito gostoso estar perto dela. E ser o namorado dela, então, era uma maravilha. Mas nossos pais não concordavam com o namoro porque éramos primos e deram um jeito de nos afastar um do outro.

- O tempo passou. Trinta anos depois, no velório de meu avô, ela estava lá mas eu não notara. Depois de um tempo ela se dirigiu a mim, demonstrando me conhecer. Mas eu não a reconheci: era, certamente, uma das mulheres mais feias que eu tinha visto nos últimos tempos. Quando ela me disse quem era eu levei um susto. Não podia ser. Dissimulei o melhor que pude. Minha prima linda tinha se tornado uma mulher gorda, feia e mal cuidada. O que o tempo fizera com ela? Ou melhor: o que ela havia feito consigo mesma?
OS JUROS DA VIDA
Algumas destas questões sobre o que nós fazemos com as nossas vidas, estão abordadas no livro "O Valor do Amanhã" de Eduardo Giannetti. Ela trata o tema dos juros como uma parcela que o devedor gasta por antecipar o consumo para hoje, enquanto o credor o ganha por adiar o seu consumo. E não é assim com outros aspectos da vida? Giannetti vê na dieta e nos exercícios físicos que fazemos hoje uma forma de armazenarmos saúde para ser gasta no futuro e associa isso à idéia dos juros.

As pessoas que degustam seu alimento com a voracidade da fome que trazem, sem se importar com o excesso de peso que carregam são equivalentes àquelas que antecipam o prazer do consumo hoje. Se este fosse o único problema, tudo bem; mas não é: essas pessoas muitas vezes se tornam estorvos para outras no futuro. Quem come em excesso, gasta em excesso, bebe em demasia ou fuma, estão consumindo hoje parte da saúde que teriam no futuro, não fossem esses excessos. Mas também estão reservando uma carga muito pesada para ser levada por aqueles que são comedidos em seus hábitos.

A VIDA NEM SEMPRE É JUSTA
Irmãos, filhos e pais gastam muito de seu tempo para cuidar daqueles que tiveram uma vida desregrada na juventude. E isso traz mais um caso. Dois irmãos gêmeos tiveram vidas bem diferentes: um equilibrado e comedido, outro desregrado levou a vida usufruindo dos prazeres da carne, da bebida e do sexo. Hoje, este tem sífilis, está quase incapacitado para andar, não tem recursos suficientes para seu sustento e representa um peso para o outro irmão e os pais. Um peso financeiro e de tempo. Isso é justo? Claro que não. A vida nem sempre é justa. Mas os pais e os irmãos, neste caso, estão se dedicando com carinho e atenção àquele que sumiu de casa e voltou anos depois carregando os dramas de sua irresponsabilidade.

Muitos de nós conhecemos essas histórias. São fatos que ocorrem todos os dias. Pessoas que gastam hoje o que poderiam guardar para o futuro. Saúde e dinheiro. Gastam tudo como se um dia a vida não mandasse a fatura. A vida manda sim, mas muitas vezes ela tem de ser paga por outras pessoas que fizeram as devidas reservas, de saúde e dinheiro.

GASTE AOS POUCOS E GUARDE AOS POUCOS
Você já foi caminhar num parque? Aqui em Curitiba temos muitos parques e vemos muitas pessoas caminhando neles. Mas preste atenção nas próximas vezes: essas pessoas que estão se exercitando são, em sua maioria, aquelas que menos necessitam de exercícios pois estão em boa forma. Mas elas só estão em boa forma porque se exercitam.

As pessoas mais apressadas, em busca de resultados rápidos, lotam as academias no verão. Terminado o verão, voltam à vida de antes e o amanhã volta perder valor. Elas se entregam aos prazeres imediatos e comprometem novamente a sua saúde e o seu futuro. E chega mais um verão e aí correm novamente para as academias. É uma vida muito pobre, descompromissada. É uma vida vivida pelos cantos do prazer. O futuro? O futuro é agora, diriam elas. Depois precisarão ser suportadas por aqueles que não apressaram o futuro. A vida não é justa mesmo.

E o que essa conversa toda tem a ver com finanças? Tudo! Afinal, na velhice os gastos com saúde serão maiores para aqueles que tiveram uma vida perdulária, que gastaram a não mais poder com festas, comilanças, bebidas e outros prazeres em desregrada medida. É na velhice que a vida entrega a fatura com os juros já debitados. E muitas dessas faturas irão para aqueles que não acumularam o suficiente para cuidarem de si mesmos. Eles foram um peso na mocidade, na vida adulta e continuarão sendo um peso (maior ainda) na velhice. A vida não é justa mesmo. Mas nem por isto os comedidos devem desistir.

O QUE VEM DEPOIS
  1. Quero retomar o assunto da necessidade de se fazer orçamentos e apresentar os motivos porque alguns ricos e milionários (menos da metade) não o fazem.
  2. Quero falar de gastos obrigatórios, facultativos e desnecessários.
  3. Vou lhe apresentar a uma escala de riqueza e lhe dizer que acho uma crueldade essa idéia de que chegar ao primeiro milhão é uma meta a ser buscada por todos.
  4. Vou lhe contar também como é bom amar alguém e ser amado por esta pessoa. E vou explicar porque vejo nesse amor uma das melhores formar de se poupar para o futuro.
  5. Mas depois, bem depois, quando você já tiver seguido as regras para economizar, vou lhe mostrar como selecionar investimentos para ter uma rentabilidade adequada a seus planos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Medindo a riqueza



Muitas pessoas demonstraram estranheza com a situação financeira dos médicos que relatei em minha postagem anterior. As informações sobre as pesquisas que chegaram àquelas conclusões foram tiradas do capítulo 3 livro O Milionário Mora ao Lado. Este livro resume alguns dos estudos feitos dois professores norte-americanos: Thomas J. Stanley e William D. Danko. São doutores e pesquisadores de grande respeito junto à comunidade acadêmica e de mercado do Estados Unidos. Grande parte do material apresentado nesta e nas próximas postagens usará os estudos desenvolvidos por eles, que pesquisaram por mais de duas décadas os ricos e milionários americanos.

As conclusões a que chegaram os dois pesquisadores são muito interessantes. Eles descobriram que, em geral, o milionário americano é uma pessoa comum, sem sinais aparentes de tanta riqueza. Mas também constataram o que a sabedoria popular já informava: tornar-se rico não é fácil. Isto exige tempo, energia e dinheiro dedicados à construção de um patrimônio líquido substancial.

A FÓRMULA DA RIQUEZA
Pretendo explorar ainda mais a situação das pessoas de alta renda e baixo patrimônio. Mas antes é preciso esclarecer alguns conceitos. O que é patrimônio líquido e como ele define se alguém é rico? Veja a fórmula a seguir.


Pegue sua renda familiar anual realizada e divida por dez, e o resultado multiplique pela sua idade. Esse deve ser o valor de seu patrimônio líquido para que você se considere rico segundo o cálculo desenvolvido pelos dois pesquisadores norte-americanos.


Por exemplo, se alguém tem renda familiar anual realizada de R$ 200.000 e tem 50 anos de idade, basta fazer: R$ 200.000/10 = R$ 20.000; agora faz R$ 20.000 x 50 = R$ 1.000.000. Pronto, aí está. O patrimônio líquido desta pessoa deveria ser de 1 milhão de reais para que ela fosse considerada rica, para o nível de renda e para a idade que tem. É um cálculo que leva em conta o binômio idade-renda familar do indivíduo. Além de ser um cáculo fácil de ser feito ele faz justiça aos mais jovens, por exigir deles um patrimônio líquido menor. Mas também pune os mais velhos que foram perdulários ao longo da vida.


Um jovem de 20 anos com uma renda de R$ 10.000 por ano, será considerado rico se tiver um patrimônio líquido de R$ 20.000. Mas um homem de 60 anos e também com renda anual de R$ 10.000, deverá ter um patrimônio líquido de R$ 60.000. Este homem teve quarenta anos a mais que o jovem para formar seu patrimônio líquido; portanto, é justo que dele se exija um valor maior.


DETERMINANDO SEU PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Patrimônio líquido é a diferença entre o que se tem e o que se deve. É a soma de tudo que alguém possui subtraído da soma de todas as suas dívidas. Por exemplo, se uma pessoa tem uma casa e dois carros que valem R$ 300.000 mas tem dívidas associadas a esses bens no valor total de R$ 180.000, o valor de seu patrimônio líquido será calculado assim: R$ 300.000 - R$ 180.000 = R$ 120.000. Como se vê, é simples encontrar o valor do patrimônio líquido. E é este valor que serve de base para determinar se alguém é rico.


Para determinar o valor patrimônio líquido não haverá muita dificuldade em se levantar o valor das dívidas. Existem técnicas financeiras para isso, como atualizar o valor de financiamentos descontando-os segundo as taxa neles imbutidas. Mas se você tem dificuldades com isso, deixe pra lá; apenas some quanto você deve: tanto as dívidas vencidas quanto a vencer. Some tudo: financiamentos, cheque pré-datados, cartões de crédito, cheque especial, etc. Você sabe quais são elas. É fácil.


A parte difícil na determinação do valor do patrimônio líquido é saber o valor dos bens que se possui. Como determinar o valor de itens tão variados como vestuário, livros, jóias, utensílios domésticos, imóveis e veículos? É preciso bom senso: o que você venderia numa situação de extrema emergência? Tudo? Pois bem, nem sempre há um mercado onde você possa vender tudo que gostaria. Os utensílios usados de cozinha nem sempre têm em todas as cidades um mercado organizado onde se possa negociá-los facilmente. Assim, deixe de fora aquilo que não tem negociação tão fácil. Some os bens que têm um mercado regular, como veículos, imóveis, eletrodomésticos, livros, jóias. Some também suas aplicações financeiras, como investimentos em ações, poupança, CDB e outras.

Fez as contas? E então, você é rico? Se as resposta for "não", você faz parte da maioria. Apenas 3,5% dos americanos se enquadram nesta categoria, ou seja, têm patrimônio líquido superior ao encontrado pela aplicação da fórmula que mencionamos. (Mas lembremos que os cálculos que eles fazem são em dólares e os nossos em reais). Eles não parecem ser ricos, não levam a vida glamurosa que muitos imaginam para os ricos. A maioria deles não mora em bairros chiques, nem dirige carros de luxo. Mas eles são ricos. Sabe por quê? Uma das razões é que eles sabem quanto ganham e quanto gastam: eles têm um orçamento e procuram segui-lo rigorosamente. Para cada 100 ricos que não fazem orçamento, 120 o fazem. E aí fica uma pergunta: como os ricos que não fazem orçamento se toram ricos?


O QUE VEM A SEGUIR
Em nossa próxima postagem responderemos a essa pergunta. Enquanto isso responda: você tem um orçamento? Você sabe fazer um orçamento? Você tem disciplina na execução do orçamento? Você conhece (mesmo!) quantas opções para investir o que sobra de sua renda mensal? (Se é que sobra). Você sabe como lidar com suas dívidas? E como não fazer dívidas? Existem padrões de comportamento que dirigem suas ações tanto para a vida frugal quanto para a vida perdulária. Sobre esses padrões de comportamento e sobre as formas de rompê-los ou cultivá-los estaremos tratando aqui também.

Se tiver alguma sugestão ou dúvida deixe seu comentário ou mande um email para nobresilva@gmail.com.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Quem cuida dos médicos ?

O QUE É UMA VIDA FRUGAL ?
Continuando o que falei na postagem anterior quero reafirmar o viver frugal. Ele é um viver simples sob os mais variados aspectos. É um viver moderado. Um dia após o outro. É sair de casa mais cedo pra não atropelar os outros no trânsito, é respeitar a fila que já existia quando você chegou. Também é viver dentro de suas posses, de sua renda. E é aqui que quero me estender. Vamos olhar pra uma turma que tem uma dos maiores níveis de renda de nosso país: os médicos. Eles têm um viver frugal? Boa parte deles, certamente, não.

ALTA RENDA, BAIXO PATRIMÔNIO
Os médicos, coitados dos médicos. Quem vai curá-los? Em geral eles estão no grupo que tem alta renda, mas baixo patrimônio. É o que chamamos de "alta renda-baixo patrimônio". Isto ocorre porque, segundo pesquisas acadêmicas, os médicos para se sentirem aceitos em seu grupo profissional precisam gastar muito: casa e carros compatíveis a profissão; títulos de clubes; almoços e jantares; roupas; viagens para congressos; livros, muitos livros (de preço bem elevado). Ganham bastante, mas também gastam muito. Os filhos e os amigos os acham ricos porque eles levam uma vida que parece mesmo "vida de rico", segundo a sabedoria popular. Congressos nacionais e internacionais são exigências para o médico se manter atualizado; e isso custa caro.

Os médico exibem um estilo de vida de alto consumo mas, em geral, pouco investimento. Seus gastos estão direcionados a bens consumidores de riqueza, como carros de luxo que são trocados a cada um ou dois anos, por exemplo. São gastos que indicam status, mostram quem eles são e onde estão numa escala social presente na mente das pessoas. São gastos não são direcionados a bens geradores de riqueza, como os investimentos em imóveis, títulos do governo ou de empresas e ações de companhias abertas.

As pesquisas que observaram este comportamento financeiro nos médicos foram desenvolvidas nos Estados Unidos; entretanto, a replicação delas aqui no Brasil provavelmente não mostraria resultados muito diferentes. Mas o importante é perceber que o viver frugal independe de sua renda. Na média os médicos pesquisados demonstraram um viver perdulário, pois gastam tudo que ganham e às vezes bem mais, se endividando num ciclo perigoso. É óbvio que há médicos que mantêm suas finanças equilibradas, mas parece que eles não são a maioria. Como resolver esse problema se eles estão sempre ocupados numa ciranda de trabalho e estudo sem fim?

QUEM VOCÊ PROCURA QUANDO PRECISA DE AJUDA?
Se você tem problema de saúde procura um profissional da área, se seu carro quebra, procura um mecânico. E quando suas finanças desabam, quem você procura? Um gerente de banco ou um cunhado, irmão ou um agiota? Pois é. Se você tem um viver perdulário precisa de ajuda, pois as conseqüências podem ser devastadoras para sua vida pessoal e familiar.

Neste sentido os médicos precisam de ajuda. Eles precisam buscar a orientação de um profissional da área financeira para estruturar suas finanças e dar-lhe tranqüilidade para suas outras atividades, sejam elas profissionais, pessoais ou familiares. Por isso minha sugestão é: busque a ajuda de um profissional se você se enquadra no grupo dos perdulários, daqueles que não conseguem viver dentro de seus ganhos, que não aplicam parte de sua renda em bens geradores de riqueza. Se você, da mesma forma que muitos médicos, também enfrenta situação semelhante e também não sabe ao certo para onde está indo seu dinheiro, você também precisa de ajuda.

Você sabe quanto gasta com alimentação, roupas, moradia, saúde e transporte por ano? Essas são as necessidades básicas de uma pessoa. Se você não sabe o quanto gasta com esses itens, está explicado, ao menos em parte, o motivo de uma eventual via crucis que você eventualmente experimenta em sua travessia pela vida. Talvez você deteste essa coisa de fazer orçamento, embora ele seja fundamental para você assumir de fato controle de sua vida financeira: afinal, como controlar o que não se mede? Mesmo assim, existem alternativas ao orçamento, e uma delas é "pague-se primeiro". Vou falar sobre isso em outra postagem.

Muitos se endividam para manter um padrão que não condiz com sua renda. Este hábito é comum entre os americanos: eles chegam a hipotecar seus imóveis a fim de levantar recursos que serão usados para financiar o consumo supérfluo: trocar de carro, fazer viagens e comprar e comprar e comprar.

Se essas coisas lembram seu proceder, seu modo de vida, você precisa de ajuda, e não importa seu nível de renda. Aliás, para você se tornar uma pessoa efetivamente rica, seu nível de renda nem é tão importante assim. Há aspectos muito mais relevantes do que ele. Eu vou trazê-los aqui. Mas um viver frugal é condicionante de uma riqueza não só patrimonial, mas também pessoal e familiar.

NÃO É FÁCIL, MAS É POSSÍVEL
E como conquistar um viver frugal? Não é fácil, mas é possível. Falaremos disso mais tarde. Algumas coisas precisam ser esclarecidas antes. Afinal o que significa "baixo patrimônio"? Quando é que o patrimônio de alguém pode ser considerado "alto"? Quando se pode dizer que alguém é rico?

Não bastam truques de fim de ano ensinando o que fazer com o 13º salário. Um processo de reeducação financeira torna-se necessário. É sobre isto que estaremos falando nas próximas semanas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A Dica Furada



CUIDADO COM OS ESPECIALISTAS
Todo início de ano vemos uma enxurrada de dicas de especialistas a respeito dos gastos que ocorrem nos meses de janeiro e fevereiro. Essas dicas estão voltadas a uma solução de emergência: economizar o 13º salário para enfrentar estes gastos extras de início de ano.
E onde está o furo? Na verdade os furos estão em diversos lugares.

Esses gastos não são extras. São gastos normais e devem fazer parte do planejamento da família, ao invés de serem colocados no orçamento apressadamente como quem leva um susto ao se defrontar com uma despesa imprevista. Ou alguém acredita que o IPVA, IPTU e material escolar são eventualidades? Não são: eles precisam constar da relação de gastos de toda família que tem carro, imóvel ou filhos freqüentando escola. A despesa com material escolar ocorre mais de uma vez por ano e não se aplica somente aos filhos; pode ocorrer de os próprios pais estarem estudando. Ou mesmo a pessoa que não tem filhos mas tem carro, imóvel ou despesas escolares. Assim, tais gastos precisam ser tratados como normalidades e não como eventualidades.

O OUTRO ERRO DOS ESPECIALISTAS ?
Eles erram de novo ao sugerir a guarda do 13º para se enfrentar essas "eventualidades". Isso é deseducar, é mostrar que se pode apagar o incêndio com um copo d'água. Quem vai guardar o 13º para isso? Poucas pessoas o fazem. A grande maioria "torra" tudo; o momento é de festa, e não de frear sentimentos; é liberação de energia e de gozo. Dia 20 de dezembro, semana do Natal; quem vai pensar que em fevereiro tem IPVA e IPTU? Que se dane! E dá-lhe festa. Foi o ano inteiro de luta; é hora de extravasar.
Quem vai julgar essa multidão de pessoas e dizer que elas estão erradas? Eu sei quem: os especialistas em finanças pessoais. E aqueles que não guardaram nada para as contas de início de ano vão sofrer duas vezes: uma porque não têm a grana e outra porque serão colocados diante do espelho para serem julgados por sua "irresponsabilidade".
Educação financeira é a base, mas quero falar disso depois. Antes vou falar do viver simples.

UMA VIDA FRUGAL
Um viver frugal é caracterizado pela "economia no uso de recursos", segundo o dicionário Webster, conforme mencionado no livro O Milionário Mora ao Lado, à página 33. Portanto, não tenha apenas um Natal frugal, tenha uma vida frugal, ou seja, viva com menos do que você ganha; todos vão ganhar com isso. O oposto de um viver frugal é um viver perdulário: "um estilo de vida marcado por gastos abundantes e excesso de consumo", como no mesmo livro à mesma página. No viver perdulário você gasta o ano inteiro e tenta se virar no início do ano quando as prestações de compras feitas para o Natal começam a chegar.

É sobre isso que quero falar na próxima postagem: um viver frugal o ano inteiro, a vida inteira. Até lá, quando também quero falar sobre as pessoas que no final do ano correm para as academias a fim de perder os quilos extras que ganharam o ano inteiro. Tem tudo a ver com o uso do 13º para enfrentar os gastos de início de ano.