segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Ciclo da Pobreza (parte 1)

O empobrecimento pode se manifestar de variadas formas, sendo a mais marcante a perda de patrimônio. Essa perda, que às vezes, ocorre de maneira até certo ponto inesperada, na maior parte das vezes há uma marcha firme, constante e consciente na direção dela. Pode-se dizer que as perdas inesperadas são originadas, em geral, de negócios mal feitos, de desemprego, doenças ou até mesmo de conjunturas que fogem ao controle das pessoas e empresas. O segundo tipo de perda é decorrente de atitudes e comportamentos já consolidados. Nesta série postagens sobre o Ciclo da Pobreza quero tratar deste segundo caso com mais atenção.

Enquanto algumas pessoas, deliberadamente "jogam dinheiro fora", outras, cheias de boas intenções voltadas para a economia de recursos, tomam decisões erradas; é a história do "barato que sai caro".Conheço pessoas que adquirem certos hábitos na intenção de economizar, mas o próprio hábito se torna uma armadilha. Aconteceu comigo: a fim de economizar a comissão da imobiliária, aluguei o apartamento diretamente com o candidato a inquilino. Além de eu não receber os aluguéis, ele ainda não pagou o condomínio. Meu prejuízo foi equivalente a quase 10% do valor do imóvel.

Aprendi uma dura lição com esse imóvel. E a partir daí tomei uma decisão: não mais investiria em imóveis para obter renda de aluguéis. Em vez disso, continuaria investindo em imóveis só que, daí por diante, meu intuito seria o de comprar ou construir para revender. Essa foi a minha decisão; mas sei de pessoas que ganham muito dinheiro com o aluguel de imóveis. Esse ganho pode vir acompanhado de severos aborrecimentos. Prefiro ficar de fora.

Essa foi uma decisão errada: evitar a imobiliária. Eu não joguei o dinheiro fora deliberadamente. A idéia era economizar. O ruim seria não ter retirado nenhuma lição desse fato. A coisa piora quando nenhuma lição é aprendida, mesmo quando se sabe que os erros estão se acumulando e de forma plenamente consciente. Esses são os casos de perdas decorrentes de maus hábitos, como o das compras compulsivas de coisas que logo se tornam esquecidas em algum canto da casa. Os exemplos são muitos: (i) cartões de crédito com parcela atrasadas; (ii) cheque especial com limite estourados; (iii) prestações e financiamentos não honrados; (iv) escolas, alugueis e condomínios atrasados; (v) planos de saúde com parcelas vencidas e não pagas; (vi) plano de previdência esquecidos ou nunca lembrados. O que dói, talvez não muito agora, mas certamente doerá profundamente no futuro, é a constatação de que a gastança continua, demonstrando nenhuma preocupação aparente com a gravidade da situação. O que fazer para vencer esse ciclo de dívidas e juros que fazem as pessoas se tornarem cada vez mais pobres? Um empobrecimento que rouba sonhos.

Como romper esse ciclo? É sobre isso que estaremos tratando aqui. Não sou psicólogo, não sei discorrer sobre razões que levam a determinados comportamentos; mas tenho conversados com especialistas no assunto, dentre eles está a minha filha, Andrea, excelente psicanalista. O que eu sei é planejar as finanças, tratar as dívidas e organizar os investimentos, além de preparar um plano para a aposentadoria. Falarei sobre isso enquanto compreendemos alguns traços comportamentais que afundam pessoas mas que também as tornam pessoas sensatas e equilibradas.

Tenho vários casos como esse em meus arquivos; mas há três deles que são imponentes: (a) o juiz casado com uma médica; (b) a Graça, funcionária pública; (c) e o jogador de futebol que brincou com o tempo e a vida. Acompanhe as postagens.

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