Muitas pessoas demonstraram estranheza com a situação financeira dos médicos que relatei em minha postagem anterior. As informações sobre as pesquisas que chegaram àquelas conclusões foram tiradas do capítulo 3 livro O Milionário Mora ao Lado. Este livro resume alguns dos estudos feitos dois professores norte-americanos: Thomas J. Stanley e William D. Danko. São doutores e pesquisadores de grande respeito junto à comunidade acadêmica e de mercado do Estados Unidos. Grande parte do material apresentado nesta e nas próximas postagens usará os estudos desenvolvidos por eles, que pesquisaram por mais de duas décadas os ricos e milionários americanos.
As conclusões a que chegaram os dois pesquisadores são muito interessantes. Eles descobriram que, em geral, o milionário americano é uma pessoa comum, sem sinais aparentes de tanta riqueza. Mas também constataram o que a sabedoria popular já informava: tornar-se rico não é fácil. Isto exige tempo, energia e dinheiro dedicados à construção de um patrimônio líquido substancial.
A FÓRMULA DA RIQUEZA
Pretendo explorar ainda mais a situação das pessoas de alta renda e baixo patrimônio. Mas antes é preciso esclarecer alguns conceitos. O que é patrimônio líquido e como ele define se alguém é rico? Veja a fórmula a seguir.
Pegue sua renda familiar anual realizada e divida por dez, e o resultado multiplique pela sua idade. Esse deve ser o valor de seu patrimônio líquido para que você se considere rico segundo o cálculo desenvolvido pelos dois pesquisadores norte-americanos.
Por exemplo, se alguém tem renda familiar anual realizada de R$ 200.000 e tem 50 anos de idade, basta fazer: R$ 200.000/10 = R$ 20.000; agora faz R$ 20.000 x 50 = R$ 1.000.000. Pronto, aí está. O patrimônio líquido desta pessoa deveria ser de 1 milhão de reais para que ela fosse considerada rica, para o nível de renda e para a idade que tem. É um cálculo que leva em conta o binômio idade-renda familar do indivíduo. Além de ser um cáculo fácil de ser feito ele faz justiça aos mais jovens, por exigir deles um patrimônio líquido menor. Mas também pune os mais velhos que foram perdulários ao longo da vida.
Um jovem de 20 anos com uma renda de R$ 10.000 por ano, será considerado rico se tiver um patrimônio líquido de R$ 20.000. Mas um homem de 60 anos e também com renda anual de R$ 10.000, deverá ter um patrimônio líquido de R$ 60.000. Este homem teve quarenta anos a mais que o jovem para formar seu patrimônio líquido; portanto, é justo que dele se exija um valor maior.
DETERMINANDO SEU PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Patrimônio líquido é a diferença entre o que se tem e o que se deve. É a soma de tudo que alguém possui subtraído da soma de todas as suas dívidas. Por exemplo, se uma pessoa tem uma casa e dois carros que valem R$ 300.000 mas tem dívidas associadas a esses bens no valor total de R$ 180.000, o valor de seu patrimônio líquido será calculado assim: R$ 300.000 - R$ 180.000 = R$ 120.000. Como se vê, é simples encontrar o valor do patrimônio líquido. E é este valor que serve de base para determinar se alguém é rico.
Para determinar o valor patrimônio líquido não haverá muita dificuldade em se levantar o valor das dívidas. Existem técnicas financeiras para isso, como atualizar o valor de financiamentos descontando-os segundo as taxa neles imbutidas. Mas se você tem dificuldades com isso, deixe pra lá; apenas some quanto você deve: tanto as dívidas vencidas quanto a vencer. Some tudo: financiamentos, cheque pré-datados, cartões de crédito, cheque especial, etc. Você sabe quais são elas. É fácil.
A parte difícil na determinação do valor do patrimônio líquido é saber o valor dos bens que se possui. Como determinar o valor de itens tão variados como vestuário, livros, jóias, utensílios domésticos, imóveis e veículos? É preciso bom senso: o que você venderia numa situação de extrema emergência? Tudo? Pois bem, nem sempre há um mercado onde você possa vender tudo que gostaria. Os utensílios usados de cozinha nem sempre têm em todas as cidades um mercado organizado onde se possa negociá-los facilmente. Assim, deixe de fora aquilo que não tem negociação tão fácil. Some os bens que têm um mercado regular, como veículos, imóveis, eletrodomésticos, livros, jóias. Some também suas aplicações financeiras, como investimentos em ações, poupança, CDB e outras.
Fez as contas? E então, você é rico? Se as resposta for "não", você faz parte da maioria. Apenas 3,5% dos americanos se enquadram nesta categoria, ou seja, têm patrimônio líquido superior ao encontrado pela aplicação da fórmula que mencionamos. (Mas lembremos que os cálculos que eles fazem são em dólares e os nossos em reais). Eles não parecem ser ricos, não levam a vida glamurosa que muitos imaginam para os ricos. A maioria deles não mora em bairros chiques, nem dirige carros de luxo. Mas eles são ricos. Sabe por quê? Uma das razões é que eles sabem quanto ganham e quanto gastam: eles têm um orçamento e procuram segui-lo rigorosamente. Para cada 100 ricos que não fazem orçamento, 120 o fazem. E aí fica uma pergunta: como os ricos que não fazem orçamento se toram ricos?
O QUE VEM A SEGUIR
Em nossa próxima postagem responderemos a essa pergunta. Enquanto isso responda: você tem um orçamento? Você sabe fazer um orçamento? Você tem disciplina na execução do orçamento? Você conhece (mesmo!) quantas opções para investir o que sobra de sua renda mensal? (Se é que sobra). Você sabe como lidar com suas dívidas? E como não fazer dívidas? Existem padrões de comportamento que dirigem suas ações tanto para a vida frugal quanto para a vida perdulária. Sobre esses padrões de comportamento e sobre as formas de rompê-los ou cultivá-los estaremos tratando aqui também.
Se tiver alguma sugestão ou dúvida deixe seu comentário ou mande um email para nobresilva@gmail.com.
As conclusões a que chegaram os dois pesquisadores são muito interessantes. Eles descobriram que, em geral, o milionário americano é uma pessoa comum, sem sinais aparentes de tanta riqueza. Mas também constataram o que a sabedoria popular já informava: tornar-se rico não é fácil. Isto exige tempo, energia e dinheiro dedicados à construção de um patrimônio líquido substancial.
A FÓRMULA DA RIQUEZA
Pretendo explorar ainda mais a situação das pessoas de alta renda e baixo patrimônio. Mas antes é preciso esclarecer alguns conceitos. O que é patrimônio líquido e como ele define se alguém é rico? Veja a fórmula a seguir.
Pegue sua renda familiar anual realizada e divida por dez, e o resultado multiplique pela sua idade. Esse deve ser o valor de seu patrimônio líquido para que você se considere rico segundo o cálculo desenvolvido pelos dois pesquisadores norte-americanos.
Por exemplo, se alguém tem renda familiar anual realizada de R$ 200.000 e tem 50 anos de idade, basta fazer: R$ 200.000/10 = R$ 20.000; agora faz R$ 20.000 x 50 = R$ 1.000.000. Pronto, aí está. O patrimônio líquido desta pessoa deveria ser de 1 milhão de reais para que ela fosse considerada rica, para o nível de renda e para a idade que tem. É um cálculo que leva em conta o binômio idade-renda familar do indivíduo. Além de ser um cáculo fácil de ser feito ele faz justiça aos mais jovens, por exigir deles um patrimônio líquido menor. Mas também pune os mais velhos que foram perdulários ao longo da vida.
Um jovem de 20 anos com uma renda de R$ 10.000 por ano, será considerado rico se tiver um patrimônio líquido de R$ 20.000. Mas um homem de 60 anos e também com renda anual de R$ 10.000, deverá ter um patrimônio líquido de R$ 60.000. Este homem teve quarenta anos a mais que o jovem para formar seu patrimônio líquido; portanto, é justo que dele se exija um valor maior.
DETERMINANDO SEU PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Patrimônio líquido é a diferença entre o que se tem e o que se deve. É a soma de tudo que alguém possui subtraído da soma de todas as suas dívidas. Por exemplo, se uma pessoa tem uma casa e dois carros que valem R$ 300.000 mas tem dívidas associadas a esses bens no valor total de R$ 180.000, o valor de seu patrimônio líquido será calculado assim: R$ 300.000 - R$ 180.000 = R$ 120.000. Como se vê, é simples encontrar o valor do patrimônio líquido. E é este valor que serve de base para determinar se alguém é rico.
Para determinar o valor patrimônio líquido não haverá muita dificuldade em se levantar o valor das dívidas. Existem técnicas financeiras para isso, como atualizar o valor de financiamentos descontando-os segundo as taxa neles imbutidas. Mas se você tem dificuldades com isso, deixe pra lá; apenas some quanto você deve: tanto as dívidas vencidas quanto a vencer. Some tudo: financiamentos, cheque pré-datados, cartões de crédito, cheque especial, etc. Você sabe quais são elas. É fácil.
A parte difícil na determinação do valor do patrimônio líquido é saber o valor dos bens que se possui. Como determinar o valor de itens tão variados como vestuário, livros, jóias, utensílios domésticos, imóveis e veículos? É preciso bom senso: o que você venderia numa situação de extrema emergência? Tudo? Pois bem, nem sempre há um mercado onde você possa vender tudo que gostaria. Os utensílios usados de cozinha nem sempre têm em todas as cidades um mercado organizado onde se possa negociá-los facilmente. Assim, deixe de fora aquilo que não tem negociação tão fácil. Some os bens que têm um mercado regular, como veículos, imóveis, eletrodomésticos, livros, jóias. Some também suas aplicações financeiras, como investimentos em ações, poupança, CDB e outras.
Fez as contas? E então, você é rico? Se as resposta for "não", você faz parte da maioria. Apenas 3,5% dos americanos se enquadram nesta categoria, ou seja, têm patrimônio líquido superior ao encontrado pela aplicação da fórmula que mencionamos. (Mas lembremos que os cálculos que eles fazem são em dólares e os nossos em reais). Eles não parecem ser ricos, não levam a vida glamurosa que muitos imaginam para os ricos. A maioria deles não mora em bairros chiques, nem dirige carros de luxo. Mas eles são ricos. Sabe por quê? Uma das razões é que eles sabem quanto ganham e quanto gastam: eles têm um orçamento e procuram segui-lo rigorosamente. Para cada 100 ricos que não fazem orçamento, 120 o fazem. E aí fica uma pergunta: como os ricos que não fazem orçamento se toram ricos?
O QUE VEM A SEGUIR
Em nossa próxima postagem responderemos a essa pergunta. Enquanto isso responda: você tem um orçamento? Você sabe fazer um orçamento? Você tem disciplina na execução do orçamento? Você conhece (mesmo!) quantas opções para investir o que sobra de sua renda mensal? (Se é que sobra). Você sabe como lidar com suas dívidas? E como não fazer dívidas? Existem padrões de comportamento que dirigem suas ações tanto para a vida frugal quanto para a vida perdulária. Sobre esses padrões de comportamento e sobre as formas de rompê-los ou cultivá-los estaremos tratando aqui também.
Se tiver alguma sugestão ou dúvida deixe seu comentário ou mande um email para nobresilva@gmail.com.
Um comentário:
Olá Celso,
Sobre a questão do comportamento de investidor, penso que se convivo com uma pessoa que não oferece, mas pede sempre, jamais terei dinheiro pra minha velhice ser tranquila, imagine pra duas pessoas.
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