domingo, 3 de fevereiro de 2008

Menina linda! Mulher...


A PRIMA DO MEU AMIGO

Há poucos dias eu caminhava com um amigo e lembro bem do que falei pra ele:

- Hoje, 15 de janeiro de 2008, às oito e dez da manhã é a primeira vez na minha vida que atravesso o Viaduto do Chá (um viaduto da cidade de São Paulo/SP, muito importante pelos aspectos históricos que o cercam).

E ele comentou:
- Você nunca vai esquecer que neste momento eu lhe contei algo tão marcante em minha vida.
A história que ele me contara que dizia algo mais ou menos assim:
- Eu tinha uns 17 anos e gostava de uma prima que era a menina mais linda que eu já tinha visto. A gente fazia de tudo pra ficar junto e quando dava certo era muito bom. Aquela pele, os cabelos o corpo lindo e bem feitinho. O jeito dela andar, de sorrir, de me olhar. Vixi. Era muito gostoso estar perto dela. E ser o namorado dela, então, era uma maravilha. Mas nossos pais não concordavam com o namoro porque éramos primos e deram um jeito de nos afastar um do outro.

- O tempo passou. Trinta anos depois, no velório de meu avô, ela estava lá mas eu não notara. Depois de um tempo ela se dirigiu a mim, demonstrando me conhecer. Mas eu não a reconheci: era, certamente, uma das mulheres mais feias que eu tinha visto nos últimos tempos. Quando ela me disse quem era eu levei um susto. Não podia ser. Dissimulei o melhor que pude. Minha prima linda tinha se tornado uma mulher gorda, feia e mal cuidada. O que o tempo fizera com ela? Ou melhor: o que ela havia feito consigo mesma?
OS JUROS DA VIDA
Algumas destas questões sobre o que nós fazemos com as nossas vidas, estão abordadas no livro "O Valor do Amanhã" de Eduardo Giannetti. Ela trata o tema dos juros como uma parcela que o devedor gasta por antecipar o consumo para hoje, enquanto o credor o ganha por adiar o seu consumo. E não é assim com outros aspectos da vida? Giannetti vê na dieta e nos exercícios físicos que fazemos hoje uma forma de armazenarmos saúde para ser gasta no futuro e associa isso à idéia dos juros.

As pessoas que degustam seu alimento com a voracidade da fome que trazem, sem se importar com o excesso de peso que carregam são equivalentes àquelas que antecipam o prazer do consumo hoje. Se este fosse o único problema, tudo bem; mas não é: essas pessoas muitas vezes se tornam estorvos para outras no futuro. Quem come em excesso, gasta em excesso, bebe em demasia ou fuma, estão consumindo hoje parte da saúde que teriam no futuro, não fossem esses excessos. Mas também estão reservando uma carga muito pesada para ser levada por aqueles que são comedidos em seus hábitos.

A VIDA NEM SEMPRE É JUSTA
Irmãos, filhos e pais gastam muito de seu tempo para cuidar daqueles que tiveram uma vida desregrada na juventude. E isso traz mais um caso. Dois irmãos gêmeos tiveram vidas bem diferentes: um equilibrado e comedido, outro desregrado levou a vida usufruindo dos prazeres da carne, da bebida e do sexo. Hoje, este tem sífilis, está quase incapacitado para andar, não tem recursos suficientes para seu sustento e representa um peso para o outro irmão e os pais. Um peso financeiro e de tempo. Isso é justo? Claro que não. A vida nem sempre é justa. Mas os pais e os irmãos, neste caso, estão se dedicando com carinho e atenção àquele que sumiu de casa e voltou anos depois carregando os dramas de sua irresponsabilidade.

Muitos de nós conhecemos essas histórias. São fatos que ocorrem todos os dias. Pessoas que gastam hoje o que poderiam guardar para o futuro. Saúde e dinheiro. Gastam tudo como se um dia a vida não mandasse a fatura. A vida manda sim, mas muitas vezes ela tem de ser paga por outras pessoas que fizeram as devidas reservas, de saúde e dinheiro.

GASTE AOS POUCOS E GUARDE AOS POUCOS
Você já foi caminhar num parque? Aqui em Curitiba temos muitos parques e vemos muitas pessoas caminhando neles. Mas preste atenção nas próximas vezes: essas pessoas que estão se exercitando são, em sua maioria, aquelas que menos necessitam de exercícios pois estão em boa forma. Mas elas só estão em boa forma porque se exercitam.

As pessoas mais apressadas, em busca de resultados rápidos, lotam as academias no verão. Terminado o verão, voltam à vida de antes e o amanhã volta perder valor. Elas se entregam aos prazeres imediatos e comprometem novamente a sua saúde e o seu futuro. E chega mais um verão e aí correm novamente para as academias. É uma vida muito pobre, descompromissada. É uma vida vivida pelos cantos do prazer. O futuro? O futuro é agora, diriam elas. Depois precisarão ser suportadas por aqueles que não apressaram o futuro. A vida não é justa mesmo.

E o que essa conversa toda tem a ver com finanças? Tudo! Afinal, na velhice os gastos com saúde serão maiores para aqueles que tiveram uma vida perdulária, que gastaram a não mais poder com festas, comilanças, bebidas e outros prazeres em desregrada medida. É na velhice que a vida entrega a fatura com os juros já debitados. E muitas dessas faturas irão para aqueles que não acumularam o suficiente para cuidarem de si mesmos. Eles foram um peso na mocidade, na vida adulta e continuarão sendo um peso (maior ainda) na velhice. A vida não é justa mesmo. Mas nem por isto os comedidos devem desistir.

O QUE VEM DEPOIS
  1. Quero retomar o assunto da necessidade de se fazer orçamentos e apresentar os motivos porque alguns ricos e milionários (menos da metade) não o fazem.
  2. Quero falar de gastos obrigatórios, facultativos e desnecessários.
  3. Vou lhe apresentar a uma escala de riqueza e lhe dizer que acho uma crueldade essa idéia de que chegar ao primeiro milhão é uma meta a ser buscada por todos.
  4. Vou lhe contar também como é bom amar alguém e ser amado por esta pessoa. E vou explicar porque vejo nesse amor uma das melhores formar de se poupar para o futuro.
  5. Mas depois, bem depois, quando você já tiver seguido as regras para economizar, vou lhe mostrar como selecionar investimentos para ter uma rentabilidade adequada a seus planos.

2 comentários:

david santos disse...

Olá, Silva.
Este teu texto tem alguns conselhos que, naturalmente, têm que ser bem apreciados.
Parabéns.

Unknown disse...

Oi Celso
Certamente tudo o que fazemos na vida tem um retorno, tanto as coisa boas, como as ruins. E nesse mundo globalizado parece que aquele ditado que diz "aqui se faz aqui se paga" está cada dia mais rápido, digamos "on line". Se uma pessoa faz mal à outra, não demora muito a ter o troco que a própria vida lhe dá.
Assim também é com as coisas boas que fazemos. Ter uma vida saudável e poupar para o futuro nos dará um retorno mais cedo ou mais tarde. (isso se a vida não nos for injusta)!
Mas o que seria dos perdulários se não fossem os frugais???